das múltiplas primaveras

Nos quintais dos homens, eram múltiplas primaveras irrompendo, persistentes, em cada inverno. (photo by - José Luís Espada Feio - all rights reserved).

da miséria humana

Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe. E assim, saciados, do templo saíam os fiéis de alma cheia, trazendo o Deus na barriga. À porta, um murro no estômago abrindo-lhes os olhos. Era a miséria, absurda, vergando a dignidade da condição humana. (photo by - José Luís Espada Feio - all rights reserved).

um lugar estranho

A felicidade era um lugar estranho, bem sabia. (photo by - José Luís Espada Feio - all rights reserved).

a vetusta Liberdade

Foi o manifestante para a rua ver se via a tal menina, viçosa, a desfilar. Encontrou-a fragilizada, cansada, envelhecida. Mas era só aparência, coisa de fora, do corpo físico. Por dentro era vontade de criança, férrea, aspirando o futuro e a liberdade. (photo by - José Luís Espada Feio - all rights reserved).

da horrenda censura

Como é tão curta a memória, lá estava a barbárie na pedra gravada, para memória futura. Um monumento medonho, era a  horrenda  censura, impune, mutilando a liberdade. (photo by - José Luís Espada Feio - all rights reserved).

o dragão alado

Lá em baixo, a cidade era um devir incessante diluído nos murmúrios cruzados de quem a sulcava, resignado, sem erguer o olhar.  Mas o dragão alado seguia o seu curso, imperturbável com a miséria humana. Levava-lhes nas garras o bem mais precioso, sonhos resgatados por iluminar.  (photo by - José Luís Espada Feio - all rights reserved).

a caixa

Resplandeciam-lhe os matizes quando nela penetravam ridículas cartas de amor. (photo by - José Luís Espada Feio - all rights reserved).


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